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Sempre os clássicos

Atualizado: 20 de mar. de 2023

Leitor e leitura


A assertiva de Calvino de que “Um clássico é um livro que nunca

terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” nos remete à condição do

humano em seu inacabamento.

Para o pensador russo e teórico das artes Mikhail Bakhtin, a definição de

literário pressupõe um diálogo com o mundo da cultura e, por consequência, a

leitura é entendida como um ato interativo. O autor parte do princípio de que a

linguagem mesma tem sua origem no social, na comunicação entre os

indivíduos e é, por isso, dialógica.

No mesmo sentido, Calvino assinala, sobre os clássicos, que eles

“trazem consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si

os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram”.

Mais que a compreensão de um texto, no ato da leitura o leitor é

permeado pela construção de sentidos e de um posicionamento crítico

enquanto sujeito. Também nesse sentido – e por envolver um sujeito leitor que

traz consigo uma bagagem própria de experiências sociais, históricas e

culturais – está a oportunidade de diálogo que a leitura proporciona, com outras

vozes e contextos.

Segundo Bakhtin, o texto literário é o que aproxima o eu e o outro, por

se configurar possibilidade de troca de discursos, uma vez que materializa

diferentes vozes e consciências. O leitor mobilizado pela leitura é levado a

produzir respostas a essas vozes.

No ensaio de Calvino, merece ser observada a reflexão sobre o caráter

formativo da leitura, por permitir “modelos, recipientes, termos de comparação,

esquemas de classificação, escalas de valores, paradigmas”, quando se é

jovem, e percepções outras na releitura, por meio de nova perspectiva histórica

e de um sujeito já modificado pela experiência.


Referências

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos? Tradução Nilson Moulin. São Paulo:

Companhia das Letras, 2007.

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